Lá fizemos o percurso alternativo para a ligação até Gontim, juntamente com os rituais de aquecimento dos pneus, finalmente chegados ao inicio do troço foi tempo de respirar fundo e começar a ouvir... 5, 4, 3, 2, 1, Go!
Normalmente o nervosismo inicial costuma acabar ao final de 2 ou 3 curvas, mas naquela situação a sensação de desconforto manteve-se até final do troço, talvez a acusar a responsabilidade de levar ao meu lado o campeão nacional de ralis ou por ter feito poucos kms no carro e não me sentir ainda confiante o suficiente para andar como gosto!
Enfim curva após curva aproximava-mo-nos do final do troço e apesar do ritmo não ser de passeio, também não era de todo o ritmo a que gostaria de ter andado, alguns erros estúpidos de condução cuja única explicação que vejo foi a dos nervos... mas acima de tudo com humildade suficiente para perceber que era o primeiro e que o caminho se faz caminhando! Não correu bem nem mal antes pelo contrário, foi esta a ideia com que fiquei, mas acima de tudo, sei que posso fazer melhor e isso é um pensamento reconfortante.
No troço seguinte em Travassós a história repetiu-se, com algumas "atravessadelas" à mistura na parte do asfalto novo e só da parte da tarde é que consegui acalmar as ideias. Apesar de andar num ritmo mais moderado senti que as coisas aconteciam de forma mais natural e como o resultado era o que menos importava pus na cabeça que o importante era chegar ao final do rali sem fazer um restyling prematuro ao Abarth!
Com o passar do dia e com mais kms feitos no "Cinquecento" os índices de confiança iam aumentando e ia-me sentindo cada vez melhor ao volante, as notas do Nuno iam fazendo mais sentido e senti que apesar de não se notar nos cronos finalmente estava a evoluir.
À entrada para o parque de assistência liguei ao Team Manager a quem perguntei: "Então como correu ?? Ficámos em que lugar ??" (apesar de não ser importante, também não custava nada saber em que lugar tinha ficado) ao que ele respondeu: "Não sabes ?? Vem cá ter à assistência e já falamos!", fiquei a achar que a coisa tinha corrido pior da parte da tarde...
Passamos o controlo e a meio da descida para o parque de assistência fiquei sem acelerador... Pensei que ia ficar logo ali e que independentemente do resultado ser bom ou mau, o nosso ia ser nenhum! Acabamos por não ter conversa nenhuma mas lá me disseram no meio do filme de tentar resolver o problema que tínhamos ficado em 6º Lugar, fiquei supreendido e extremamente satisfeito com o resultado final, pois sempre pensei que tudo o que fosse acima do 20º para primeira prova seria um resultado perfeitamente aceitável.
Empurraram o 500 até a uma zona em que daria para levar o carro a descer caso o acelerador não funcionasse mas com a dica do Fontennay "desliga a bateria e volta a ligar" lá o problema se resolveu e fiquei com a sensação que em vez de ser um carro de corridas da Abarth o meu carro devia de levar o simbolo da Microsoft! Enfim problemas de juventude!
Lá conseguimos chegar ao final com o carro a andar normalmente e pronto para mais 100 kms de troços!
Este primeiro rali foi o concretizar de um sonho e o materializar de muitos meses de trabalho neste projecto.
Gostava de agradecer ao Nuno Rodrigues da Silva por ter aceite o meu convite e me poder ajudar nesta aventura, ao Zé Pedro Fontes porque desde Janeiro de 2010 que pegou em mim e me tem ajudado na minha evolução como piloto, ao Nuno Pires por ter construído este carro fantástico e a toda a equipa da Integra Support pelo facto de serem tão apaixonados por este projecto quanto eu, aos meus patrocinadores por terem dado o €mpurrão necessário para que o carro tivesse motor e acima de tudo à minha família que me tem apoiado de forma incondicional desde que comecei a correr.
Agora é só esperar que chegue Barcelos!